Perguntas frequentes

O que é a Teoria e a Terapia de  Integração Sensorial de Ayres®?


A Integração Sensorial é uma das teorias mais complexas dentro da Terapia Ocupacional. A teoria oferece uma forma de entendimento de comportamentos de um grupo particular de crianças e oferece uma intervenção que ajuda a melhorar os problemas que essas crianças enfrentam todos os dias (Miller; Parham, 2020). Terapia de Integração Sensorial Ayres® é uma abordagem embasada em estudos científicos iniciados na década de 60, pela Terapeuta Ocupacional Dra. Anna Jean Ayres, que comprovou que a capacidade do indivíduo de integrar as informações sensoriais é a base fundamental para que possa desempenhar suas atividades de forma funcional, chamando isso de “comportamento adaptativo”. A intervenção da terapia ocupacional com abordagem em Integração Sensorial Ayres® disponibiliza desafios sensoriais de forma organizada e estruturada e, assim, possibilita a neuroplasticidade, permitindo a prontidão para o aprendizado, para aquisição de novas habilidades e, desta forma, aumento da participação do individuo nas diferentes atividades do cotidiano. A intervenção de ISA se baseia em “atividades sensório-motoras ativas, individualizadas, contextualizadas no brincar com o desafio na medida certa, que visam repostas adaptativas para participação em atividades e tarefas”. (SCHAFFI,2018)




Quem pode se beneficiar do atendimento em Integração Sensorial de Ayres®?


Crianças e adolescentes que apresentam:

  • dificuldades de atenção e concentração;
  • necessidade exacerbada de se movimentar, por vezes, com comportamentos de risco para machucar-se;
  • movimentos repetitivos para produção de sensações;
  • dificuldade em executar ações e brincadeiras que crianças e adolescentes da mesma idade realizam;
  • dificuldade de coordenação motora global ( podem ser desajeitados, estabanados) e/ou fina;
  • dificuldade em controlar a força em seus movimentos;
  • dificuldade ou seletividade alimentar;
  • dificuldade em tarefas como se vestir, se banhar entre outras.

Essas crianças e adolescentes são encaminhados por médicos neurologistas, pediatras, fisiatras, ou encaminhados por profissionais da área da saúde e educação como fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos, pedagogos para atendimento em terapia ocupacional com ênfase em Integração Sensorial de Ayres®.

Além disso, crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresentam “…aumento ou redução da reatividade à entrada sensorial ou por um interesse incomum em aspectos sensoriais do ambiente. Há alguns exemplos citados pelo DSM-5 (2013): fascínio visual por luzes ou objetos que rodam, resposta adversa a sons ou texturas específicos, cheiro ou toque excessivos de objetos, aparente indiferença a dor, calor ou frio. Quase qualquer canal sensorial pode estar envolvido, no sentido de reatividade reduzida ou de reatividade excessiva aos estímulos. Pode haver vários tipos de alterações sensoriais na mesma pessoa durante a vida ou até mesmo ao mesmo tempo”. (Posar & Visconte, 2018). Estes fatores também são indicações para terapia de integração sensorial de Ayres ®.




Qual a qualificação necessária do profissional de terapia ocupacional para atuar com Integração Sensorial de Ayres ® (ASI) ?


A Associação Brasileira de Integração Sensorial (ABIS) defende que é dever do profissional Terapeuta Ocupacional buscar a formação proposta no conceito de medida de fidelidade© em integração sensorial de Ayres® da abordagem. Atualmente, o ICEASI, Conselho Internacional para Educação Integração Sensorial de Ayres®, aponta os padrões mínimos de educação aprovados no Congresso Internacional de ISA em 2019 em Hong Kong. A ABIS é membro fundador e da diretoria, bem como outras duas associações a espanhola (AEIS) e a portuguesa (7Senses). Os programas de formação, aprovados pelo ICEASI, devem incluir uma descrição clara dos conteúdos, métodos de ensino e resultados esperados para cada uma das seguintes áreas: Fundamentos Teóricos de ASI, Avaliação de Função e Disfunção de Integração Sensorial; Interpretação de dados de avaliação para Informar o Raciocínio Clínico, Intervenção de ISA. As 4 áreas de conteúdo podem ser distribuídas em diferentes fases do processo de aprendizagem e não necessariamente ser apresentadas como cursos separados. A aprendizagem prática e presencial é uma parte essencial do processo de aprendizagem para as áreas de avaliação e intervenção. Além disso, a supervisão de perto, a tutoria, são uma parte essencial do processo de aprendizagem da área de interpretação dos dados da avaliação para fundamentar o raciocínio clínico. Os programas devem incluir uma descrição clara de como abordarão tais aspectos.

A ABIS preconiza e defende que a abordagem de ISA deva ser exclusiva ao Terapeuta Ocupacional, devido à sua formação na graduação que vai ao encontro dos princípios filosóficos, bem como aos elementos processuais da teoria, entendendo-se que todas as categorias profissionais podem e devem ter acesso aos conceitos básicos de ISA®, em cursos isolados dirigidos exclusivamente para outros profissionais, para compreender e encaminhar para o terapeuta ocupacional quando identificado a necessidade de realização de avaliação e tratamento em ISA®. Acredita-se veemente que outros profissionais não estão habilitados a utilizar a referida abordagem, pois sua formação não se atém ao aspecto de avaliação, ferramenta essa extremamente útil e necessária para delinear um plano terapêutico e tão pouco a intervenção baseada em dados avaliativos. Outros profissionais podem utilizar recursos da IS (como por exemplo, balanços) dentro da sua perspectiva de formação. Quando esse profissional se diz fazendo IS atente-se, pois o mesmo não tem formação para isso, ele sim está usando recursos. Também recomendamos aos pais que solicitem a comprovação de formação, o currículo do profissional para que essa família seja atendida para quem ter formação adequada, e eleve ainda mais o padrão de atendimento em Terapia Ocupacional.




O que é a Certificação Internacional em Integração Sensorial de Ayres®?


Atualmente, a formação em ISA®, ofertada no Brasil, e considerada mais ampla e completa de acordo com o proposto pelo ICEASi, é a Certificação Internacional em Integração Sensorial de Ayres®. Ainda não se conhece outras formações que contemplem as especificações referidas pelo ICEASI de iniciativas nacional ou internacionais ofertadas no Brasil.

As Certificações Internacionais são ofertadas por iniciativas privadas e possuem conteúdos curriculares de acordo com o formador responsável. Identificamos no Brasil dois formadores internacionais que realizam a formação por meio dessas iniciativas privadas: USC e CLASI. Você pode consultar em nossa página informações sobre as certificações internacionais disponibilizadas pelas iniciativas privadas que fomentam os cursos no Brasil www.integracaosensorialbrasil.com.br/certificacao

Importante salientar que a ABIS compreende que a experiência prévia na área de Integração Sensorial (durante a graduação ou em cursos de curta duração) não compreende todos os requisitos para a qualificação para atuação, bem como segundo o ICEASI.

No Brasil, a certificação internacional é exclusiva para Terapeutas Ocupacionais, contudo há um grande interesse em divulgar os conceitos de Integração Sensorial Ayres® para que todos os profissionais agreguem conhecimento para encaminhar ao terapeuta ocupacional quem necessite deste tratamento.

Esclarecendo: Qualquer profissional pode e deve conhecer os conceitos básicos da Integração Sensorial de Ayres®, contudo a Terapia de Integração Sensorial é exclusiva de Terapeutas Ocupacionais.




Existe uma base de dados com terapeutas ocupacionais qualificados para atender na abordagem de Integração Sensorial de Ayres ®? É acessível para consulta pública?


A Associação Brasileira de Integração Sensorial de Ayres (ABIS) possui um cadastramento nacional de Terapeutas Ocupacionais que apresenta formação para atuação em Integração Sensorial de Ayres® (ISA®). Para ter acesso à qualificação necessária do terapeuta ocupacional atuar com ISA® (clique aqui – Paula direcionar para pergunta sobre formação).

Entretanto, dependemos do profissional nos enviar suas informações para que este profissional seja cadastrado em nossa base de dados e, por isso, o fato do Terapeuta Ocupacional não estar em nossa lista, não significa que ele não seja qualificado, então sugerimos que solicite ao profissional a apresentação/comprovação de sua formação na área.

Esta base de dados pode ser acessada por meio de uma solicitação por e-mail e a ABIS enviará os nomes dos profissionais por região de interesse. Nosso intuito é que esta base de dados favoreça pais, convênios e demais que procuram por assistência qualificada.




Quais os benefícios de você, Terapeuta Ocupacional, ser um associado ABIS?


O associado ABIS, além de fortalecer e ajudar a divulgação da Integração Sensorial no Brasil, tem desconto em vários cursos, da própria Associação e também em cursos de parceiros. Esse associado também, por meio da sua contribuição na anuidade, ajuda de diversas maneiras a fomentar que a ABIS proteja a IS, pagar despesas necessárias quando solicitamos ou iniciamos uma ação jurídica, entre outras. Também o associado, em breve, terá acesso privado a uma página com conteúdo exclusivo em nosso site. Sua associação é muito importante, JUNTE-SE A NÓS.




A sala de integração sensorial apresenta diferentes equipamentos/modalidades sensoriais. Existe alguma orientação que a ABIS poderia disponibilizar para orientar profissionais e pais sobre este espaço?


A Associação Brasileira de Integração Sensorial (ABIS) recomenda para estruturação do espaço terapêutico destinado à utilização da abordagem de Integração Sensorial pelo Terapeuta Ocupacional:

I - O terapeuta ocupacional que utiliza a abordagem de Integração Sensorial de Ayres® deverá apresentar local de atuação com espaço adequado para permitir fluxo de atividades sensório-motoras intensas (especialmente vestibulares, proprioceptivas e táteis) de maneira a permitir flexibilidade na disposição dos equipamentos e materiais para fácil mudança da configuração física e espacial do ambiente de intervenção, com, no mínimo, 3 (três) ganchos para pendurar equipamentos suspensos, em uma distância mínima entre os ganchos de 1 (um) metro, com 1 (um) ou mais dispositivos de rotação conectados a um suporte no teto, para permitir rotação de 360º (trezentos e sessenta graus), além de 1 (um) ou mais conjuntos de cabos elásticos/molas para pendurar equipamentos suspensos;

II - O ambiente deverá ser seguro, com colchão e/ou almofadas no chão, debaixo de todos os equipamentos durante a intervenção;

III - Os equipamentos deverão ser ajustáveis ao tamanho da criança e regularmente dispostos de maneiras variadas;

IV - O espaço deverá ser facilmente monitorado para segurança do terapeuta ocupacional que nele atua;

V - Todo equipamento que não estiver sendo usado deverá ser armazenado, a fim de se evitarem acidentes;

VI - O terapeuta ocupacional deverá manter rotina de documentação e monitoramento frequente dos equipamentos e da segurança;

VII - O local deverá conter, pelo menos, 1 (um) de cada equipamento ou material que vise à entrada sensorial nos sistemas tátil, vestibular e proprioceptivo.

A ABIS disponibiliza para seus associados mais informações sobre os equipamentos que devem ser disponibilizados nestes espaços. Se você é profissional de Terapia Ocupacional associado e necessita de mais informações entre em contato por e-mail.




Como Terapia Ocupacional com abordagem de Integração Sensorial de Ayres® pode contribuir com crianças que apresentam seletividade ou dificuldades alimentares?


Os problemas com alimentação são atualmente divididos em dois grupos: seletividade alimentar e dificuldade alimentar. O primeiro se refere ao grupo de crianças que, apesar de ter um cardápio reduzido de alimentos, a criança se alimenta de pelo menos um tipo de alimento de cada grupo alimentar e aceita 30 tipos de alimento ou mais. O segundo grupo é considerado como “seletividade extrema”, ou seja, tem aceitação bem restrita de alimentos, geralmente recusa categorias inteiras de alimentos, normalmente por textura, cor, por grupo alimentar (ex: proteínas, frutas) e aceita normalmente 20 ou menos alimentos diferentes. Em ambos os grupos, problemas de processamento sensorial podem estar presentes e a intervenção com terapeuta ocupacional com ênfase em Integração Sensorial de Ayres® tem muito a contribuir com estes casos.

Os problemas de Disfunção de Integração Sensorial (DIS) mais comuns em crianças com seletividade ou dificuldade alimentar são dificuldades de reatividade sensorial, que se referem a hiper ou hipo resposta a diferentes odores, texturas, temperaturas; o pobre registro das informações sensoriais na região oral, levam a uma pobre discriminação dos alimentos e problemas de praxia, podendo apresentar dificuldade para organizar, executar e controlar os movimentos de mastigação e deglutição e isto também dificulta a alimentação.

Estas questões relacionadas à alimentação muitas vezes não são isoladas e fazem parte de um quadro global e, por isso, frequentemente, o terapeuta ocupacional solicitará a avaliação com fonoaudiólogos, nutricionistas, gastroenterologistas e/ou psicólogos para acompanhamento do trabalho.





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