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TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E O BRINCAR


O BRINCAR apresenta vários ingredientes essenciais no desenvolvimento da criança. Quais são estes ingredientes? Como pode ser o brincar das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)? Como elas brincam? Como perceber se seu filho está brincando de uma maneira que os teóricos do BRINCAR apontam ser um brincar significativo?

O brincar é um processo evolutivo saudável que se inicia na infância, sendo fundamental para o desenvolvimento de inúmeras capacidades, propiciando ricas oportunidades de aprendizagem, despertando interesses e habilidades que serão significativas e necessárias na vida adulta. Neste processo, a criança vivencia várias experiências sensório-motoras que favorecem o aprimoramento de competências motoras, sociais, cognitivas, comunicativas e emocionais1.Estudos apontam que o brincar se caracteriza pela presença de motivação intrínseca, controle interno e suspensão daliberdade. Em outras palavras, respectivamente, a criançase engaja livremente e prontamente numa brincadeira em busca de seu bem-estar; dirige livremente suas próprias ações e ao brincar age “como se” não houvesse regras externas, se desafiando e explorando uma gama de possibilidades3.

A criança com diagnóstico de TEA apresenta potencial para se engajar em uma variedade do brincar, mas comumente com formas menos convencionais do brincar2. Ocomprometimento ou a dificuldade no brincar podem estar presentes,se manifestando, às vezes,por falta de interesse e/ou falta de habilidades para se engajar no reino das brincadeiras2,ora por meio deações repetitivas e manuseio estereotipado de brinquedos ou objetos, com pouco envolvimento em jogo simbólico e brincadeiras de faz de conta4.

Algumas das questões que envolvem o pobre engajamento nas brincadeiras das crianças com TEA, são3:

• dificuldade na práxis (habilidade de organizar, planejar e executar uma sequência de movimentos ou ações não familiares)

• dificuldade de flexibilização cognitiva, ou seja, na brincadeira, a criança limita-se a brincar com objetos ou temáticas de seu conhecimento e interesse de forma repetitiva e com pouca variação. Por exemplo, gostar de dinossauros e a brincadeira sempre envolve esse mesmo elemento.

O brincar tende a ser desorganizado, repetitivo, pouco funcional ou não usual (enfileirar objetos, por exemplo)2;

• há pouca exploração dos brinquedos, além de apresentarem dificuldade com brinquedos/brincadeiras novas;

• dificuldade na imitação de ações; escolhem os mesmos brinquedos;

• procuram brincar sozinhos e muitas vezes não aceitam a inferência do outro.

Estudos mostram que 80-100% das crianças com TEA podem apresentar a disfunção da integração sensorial5, 6 impactando as áreas da ocupação como, por exemplo, o brincar, além da participação social7 que também se relaciona ao brincar. A abordagem de Integração Sensorial de Ayres@ trará muitos benefícios a essas crianças8.

A terapia de integração sensorial tem como principal objetivo desenvolver atividades sensório-motoras, que auxiliam a criança a planejar e organizar o comportamento e melhorar a capacidade de receber e processar a informação do corpo, do movimento e do ambiente. Oferecendo possibilidades de entender o meio e ser capaz de interagir utilizando-se da organização da informação sensorial adequada e da capacidade de produzir uma resposta adaptativa, para que possa estar receptivo aos aprendizados motores, cognitivos, da linguagem, sócio emocional e assim ter uma participação bem sucedida em ocupações diárias.

Caso você perceba que a criança apresenta estes comportamentos, procure um profissional Terapeuta Ocupacional para uma avaliação mais abrangente. Caso ela já seja acompanhada por este profissional, busque por mais orientações com o mesmo e estimule sempre o brincar!

Referências:

1OLIVEIRA, V.B. et al. O brincar e a criança do nascimento aos seis anos. 7 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008

2 SPITZER, S.L. Play in Children with Autism: Structure and Experience. IN: PARHAM, L.D.; FAZIO, L.S. Play in Occupational for Children, Ed. Mosby, Elsevier: MISSOURI, EUA 2ª ED. 2008 p.351-374

3 SKARD, G.; BUNDY, A. (1997) Test of Playfullness. IN: PARHAM, L.D.; FAZIO, L.S. Play in Occupational for Children, Ed. Mosby, Elsevier: MISSOURI, EUA 2ª ED. 2008 p.71-93

4 DIONISIO, A. L. A.; FRANCA, A. S.; CAVALCANTE, C. B. S.; ARAÚJO, C. R. S.; BARBOSA, N. Brincar e Integração Sensorial: Possibilidades de Intervenção da Terapia Ocupacional.

5 BARANEK, G. T.; DAVID, F. J.; POE, M. D.; STONE, W. L.; WATSON, L. R. The Experiences Questionnaire: discriminating response patterns in Young children with autism, developmental delays, and typical development. Journal of Child Psychology and Psychiatry, v.47, n.6, p.591-601, 2006.

6 LANE, A. E.; YOUNG, R. L.; BAKER, A. E. Z.; ANGLEY, M. T. Sensoryprocessingsubtypes in autism: Association with adaptive behavior. Journal of Autism and Developmental Disorders, v.40, n.1, p.112-122, 2010.

7 SCHAAF, R. C.; TOTH-COHEN, S.; JOHNSON, S. L.; OUTTEN, G.; BENEVIDES, T. W. The everyday routines of families of children with autism: examining the impact of sensory processing difficulties on the family. Autism: The International Journal of Research and Practice, v.15, n.3, p.373-389, 2011.

8 Schaaf, R. From evidence-based practicetopractice-based evidence. In: EUROPEAN SENSORY INTEGRATION CONGRESS, 5., 2017.Vienna. Presentation...,Viena, Austria, 2017

Texto preparado pelas Colaboradoras Terapeutas Ocupacionais: Fabiana Suzaki -Crefito-3/9897-TO e Sabrina Ibiapina Crefito-6/8231-TO

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